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Economia
Segunda - 14 de Fevereiro de 2011 às 08:24
Por: Laís Costa Marques

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Frigoríficos estão exportando mais, mas segundo Sindifrigo, o volume poderia ser ainda maior
Frigoríficos estão exportando mais, mas segundo Sindifrigo, o volume poderia ser ainda maior
O preço da carne bovina aumentou 96% em no intervalo de um ano no varejo mato-grossense. Levantamento da Associação de Produtores Rurais aponta que o consumidor pagava, em média, R$ 9,50 por quilo (considerando todos os cortes) em fevereiro de 2010. Na última pesquisa, realizada em 27 de janeiro deste ano, o valor médio subiu para R$ 18,71. A variação para os pecuaristas, porém, foi de 36%. A arroba saiu de R$ 67,56 para R$ 91,91.

As razões apontadas para o incremento são a retomada das exportações e escassez de animais prontos para o abate no mercado estadual. Já as conseqüências são queda no consumo e maior impacto no bolso dos consumidores. No açougue Favorito, por exemplo, as vendas caíram 30% e os clientes de classe mais baixa, que costumavam comprar as porções diariamente não estão indo mais com a mesma freqüência. A gerente Silvana Cavalcante revela que até mesmo aqueles com maior poder aquisitivo estão preferindo comprar a carne no supermercado em dias de promoção, para economizar um pouco.

Segundo ela, o preço vem alto do frigorífico e, além disso, faltam opções. "As carnes estão vindo magras e nem sempre tem os pedaços que pedimos. Às vezes temos que reduzir o volume para conseguir comprar". Nos frigoríficos o cenário é claro: falta animal e as exportações estão em alta, apesar do presidente do Sindicato dos Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Freitas, afirmar que com a valorização, o preço (cotado em dólar) está muito elevado e por isso os compradores estrangeiros não estão adquirindo o quanto poderiam.

O presidente da Associação dos Supermercadistas de Mato Grosso (Asmat), Kássio Catena, explica que a lógica é uma só, os revendedores repassam os preços da indústria. Segundo o representante dos supermercados, "é um absurdo responsabilizar o varejo pela alta". "Nossas margens de lucro são as mesma, o que fazemos é comprar, calcular os custos e colocar o preço. Agora, se o valor da arroba subiu, é claro que a carne também vai aumentar".

Segundo ele, além da valorização do boi, as indústrias preferem enviar os cortes mais nobres e valorizados para outros países porque pagam em dólar, e assim o preço local fica ainda mais pesado.

Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) Luciano Vacari, há uma distância significativa entre a valorização no campo e na cidade e revela achar uma falta de respeito com os consumidores o valor cobrado nos açougues e supermercados. "Há uma diferença de 60 pontos percentuais entre o aumento da arroba e o aumento do quilo da carne, em algum lugar ocorre uma distorção". Vacari diz que a equipe técnica da entidade está disposta a analisar onde está ocorrendo esta variação, mas que para isso precisa ter acesso aos preços praticados em todos os elos da cadeia. O presidente da Asmat, Kássio Catena, também coloca as notas pagas à disposição para conferência dos valores.

Efeito negativo - Embates à parte, é no orçamento familiar que a conta mais cara vai ter impacto. Na marmitaria Comer Bem, o proprietário Ivanildo da Silva, buscou algumas alternativas para continuar servindo carne bovina aos clientes. Primeiro teve que reajustar de R$ 6 para R$ 7 o valor cobrado dos clientes e ainda acrescentou frango no cardápio um dia a mais. "Passamos a fazer ave 3 vezes por semana para diminuir os custos. Os clientes aceitaram bem porque também perceberam a alta".

O empresário Fernando Nonato é dono de uma churrascaria em Cuiabá e explica que parte do aumento teve que ser absorvido pelos empresários para garantir o movimento no restaurante. Ele afirma que apesar de fazer adaptação no preço do rodízio, esta não é feita equivalente ao aumento da carne.

Kássio Catena, da Asmat, afirma que as vendas nos supermercados registraram uma retração no começo, quando houve pico nos preços. Mas que como desde novembro não houve mais acréscimos, o consumidor vai se adaptando e as vendas foram retomadas. Além disso, Catena afirma que a mudança nos preços é gradual e não feita de um dia para outro. "A carne é como o arroz e o feijão, o brasileiro acaba se adaptando e a mantém no cardápio. Depois do susto, o consumo volta a ser como antes".

No supermercado Modelo, o gerente de perecíveis, Valter Yamaguchi, concorda com a afirmação de Catena e ressalta que a comercialização da carne bovina está proporcional ao que era vendido antes do aumento. "A venda está normal. Na época do reajuste os clientes passaram a consumir mais peixes e frangos, mas agora o mercado está equilibrado novamente".

Para não aumentar os gastos a aposentada Laura Moreira da Silva buscou alternativas para substituir no cardápio. "Sai mais em conta comer outros tipos de carne, por isso aumentamos o consumo de aves e peixes".

O presidente da Associação Mato-Grossense de Avicultura (Amavi), Aléssio Di Domênico, afirma que o consumo de aves foi maior no período em que a carne teve o preço elevado, entre outubro e novembro do ano passado, quando cresceu cerca de 15%. "Quando a carne subiu, a demanda e os preços do frango também aumentaram. Mas agora o mercado está menos aquecido e os preços e vendas voltaram ao que era antes do impacto".





Fonte: A Gazeta

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