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Polícia
Quinta - 19 de Julho de 2012 às 12:35

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Pelo menos cinco disparos foram feitos contra carro de publicitário (Foto: Letícia Macedo/G1)
Pelo menos cinco disparos foram feitos contra carro de publicitário (Foto: Letícia Macedo/G1)

A Polícia Civil afirmou que os disparos dos policiais militares que mataram o empresário Ricardo Prudente de Aquino, na Zona Oeste de São Paulo, na noite de quarta-feira (18), foram dados a curta distância e que houve falha operacional na conduta dos PMs. A corporação já tinha admitido mais cedo que há indícios de falhas na conduta do cabo e dos dois soldados. Eles foram autuados em flagrante por homicídio doloso e levados para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte.

Também nesta madrugada, em Santos, um carro com jovens não parou após uma abordagem policial e foi atingido por mais de 25 tiros por policiais militares. Um jovem morreu.

Na capital paulista, segundo a Polícia Civil, a abordagem ao empresário ocorreu às 22h25, conforme indicaram as câmeras de segurança de prédios no entorno. Mais cedo, a Polícia Militar havia divulgado que a abordagem havia ocorrido na madrugada. As primeiras informações indicavam que o homem atuava como publicitário, mas a família informou que Aquino era empresário do ramo de brindes sustentáveis.

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais militares observaram que o veículo de Aquino, um Ford Fiesta, trafegava em alta velocidade e começaram uma perseguição. Outros carros e motos da PM fizeram o reforço. Ao chegar à Avenida das Corujas, no Alto de Pinheiros, Fiesta foi fechado um carro da polícia. Sem que o motorista reagisse, os PMs atiraram. Um disparo atingiu a têmpora do publicitário.

A vítima foi socorrida ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.“Tanto a Polícia Civil como a Polícia Militar estão comprometidas com a legalidade. Houve uma falha operacional e diante desse quadro [o delegado] Pedro Ivo decidiu autuar em flagrante os componentes dessa viatura”, disse o delegado-seccional Dejair Rodrigues.

Maconha
No carro, foram encontrados 50 g de maconha, mas a Polícia Civil não sabe informar se isso teria eventualmente motivado o motorista a não obedecer a ordem de parada. Segundo o delegado seccional, os policiais alegaram ter atirado porque viram que o motorista tinha um objeto preto na mão. “Apurou-se que o objeto era um celular”, disse o delegado. Os PMs não tinham registro de má conduta. O publicitário não tinha passagem pela polícia.

A Polícia Militar emitiu nota para esclarecer a abordagem. "Ressalta-se que os Policiais Militares do estado de São Paulo são submetidos a treinamentos constantes quanto aos procedimentos operacionais padrão e que tal atitude será apurada com rigor pois dão indícios de falhas de procedimento inaceitáveis. Dessa forma a Polícia Militar pede desculpas à família, à Sociedade e esclarece que, após as apurações, os envolvidos pagarão pelos seus erros na medida de suas atitudes", informa o texto. (Veja íntegra da nota abaixo)

Este erro acabou com a minha vida. Talvez caia a minha ficha daqui a meses, anos, eu não sei. Para mim, é um pesadelo"
Lélia Pace Prudente de Aquino,
mulher da vítima

Segundo familiares, Aquino havia ido visitar um amigo em Alphaville quando voltava para casa. Ele foi morto próximo ao seu apartamento, também na Zona Oeste. A publicitária Lélia Pace Prudente de Aquino, de 35 anos, mulher da vítima, conta que recebeu uma ligação às 2h54 pedindo que ela comparecesse à delegacia, porque seu marido havia se envolvido em um acidente de trânsito. Em estado de choque, a publicitária, que era casada há quatro anos, afirmou ainda não acreditar no que ocorreu.

“Só sei que ele foi executado e eu não sei por qual motivo. Eu me perguntei se ele tinha fugido de alguma blitz do bafômetro, mas nada justifica três disparos contra uma pessoa que está dirigindo. Para mim, em qualquer momento, alguém vai falar que foi um engano: ele foi sequestrado, deram um tiro no sequestrador e ele fugiu”, afirmou.

morte publicitário (Foto: Letícia Macedo/G1)
Mulher da vítima tenta entender o que aconteceu
(Foto: Letícia Macedo/G1)

Antes de saber que a PM informar que há indício de falha durante a abordagem ao publicitário, a mulher de Aquino criticou a ação. “Este erro acabou com a minha vida. Talvez caia a minha ficha daqui a meses, anos, eu não sei. Para mim, é um pesadelo. Como, infelizmente, neste país não existe Justiça, não sei nem o que esperar. O que eu esperava já não vai acontecer. Eu queria ele vivo e isso eu não vou ter”, disse.

Outros casos
Nesta quarta-feira (18), a Corregedoria da PM informou que investiga a conduta de seis policiais suspeitos de ter espancado e roubado um taxista na madrugada de domingo (15) na região central da capital paulista. A agressões teriam ocorrido na Avenida Rio Branco, e incluído chutes na cabeça do rapaz.

Um aparelho instalado no veículo para comunicação do taxista com a central, chamado de PDA, também teria sido levado pelos PMs, segundo o motorista. Em depoimento, ele contou que tudo começou ao passar em alta velocidade por um carro da polícia na Rua Alfredo Maia, na Luz, quando levava uma passageira com urgência para ser atendida na Santa Casa de Misericórdia.

Na semana passada, dois rapazes teriam desaparecido em Guarulhos, na região metropolitana, após uma abordagem da Força Tática da PM. Nesta terça (17), moradores protestaram contra o sumiço dos jovens, incendiando um ônibus na cidade.

Nota da PM
Leia abaixo a íntegra da nota enviada pela PM:

"A Polícia Militar do Estado de São Paulo lamenta a ocorrência na qual Ricardo Prudente de Aquino faleceu após tentativa de abordagem, na noite de ontem. As circunstâncias estão sendo apuradas. As informações preliminares indicam que ele se evadiu de uma abordagem policial, despertando a atenção dos patrulheiros, que começaram um acompanhamento.

Outra equipe que participou do cerco parou a via para tentar interceptar o veículo, mas o veículo de Ricardo bateu na viatura. De acordo com os primeiros dados apurados, no momento da abordagem, visualizaram Ricardo com um objeto na mão e atiraram, pensando se tratar de uma arma. Socorrido ao Hospital das Clínicas, Ricardo faleceu. No veículo não foi encontrada arma. Apura-se se os Policiais, devido às circunstâncias, teriam confundido o aparelho de celular com uma arma. Por esse motivo foram presos em flagrante no Presídio da Polícia Militar Romão Gomes.

Ressalta-se que os Policiais Militares do estado de São Paulo são submetidos a treinamentos constantes quanto aos procedimentos operacionais adrão e que tal atitude será apurada com rigor pois dão indícios de falhas de procedimento inaceitáveis. Dessa forma a Polícia Militar pede desculpas à família, à Sociedade e esclarece que, após as apurações, os envolvidos pagarão pelos seus erros na medida de suas atitudes"

morte publicitário (Foto: Letícia Macedo/G1)
Circunstâncias da morte serão investigadas (Foto: Letícia Macedo/G1)




Fonte: Do G1 SP

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