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Quinta - 26 de Julho de 2012 às 14:40

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Milho a céu aberto em Lucas do Rio Verde (Foto: Brunno Cinpak)
Milho a céu aberto em Lucas do Rio Verde (Foto: Brunno Cinpak)
A colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso deu início a uma verdadeira corrida para o escoamento do cereal. Até a última semana 66% dos 2,5 milhões de hectares plantados tinham sido percorridos pelas máquinas. Mas o grão que deveria ir direto para os armazéns começa a ser estocado a céu aberto em alguns municípios do estado pela falta de espaço nos cilos. Problemas logísticos e a dificuldade em se retirar aquilo que já está guardado agravaram o cenário. O fantasma do armazenamento volta a assombrar o setor produtivo, contrapondo-se ao momento de alta vivido pela agricultura. Nesta temporada a unidade federada deve colher acima de 14 milhões de toneladas, segundo o Imea, volume jamais registrado na história, confirmando a chamada safrinha, um status de supersafra.

Em Lucas do Rio Verde, a 360 quilômetros de Cuiabá, o presidente do Sindicato Rural, Júlio Cinpak, confirma o problema e diz que o bom momento da safra com recordes jamais vistos agora esbarra na falta de logística. Ele destaca que produtores enfrentam problemas com o escoamento, especialmente pela baixa oferta de caminhões. Reflexo da nova lei que regulamentou a profissão de motorista e estabeleceu critérios quanto à atividade.
 

"Em função dessa nova legislação é preciso respeitar os intervalos [de folga para os motoristas] que antes não se tinham e estamos tendo poucos caminhões. Estamos sem espaço e o milho, em alguns armazéns, é colocado para fora", destacou o representante ao G1.

No município a colheita já chega à reta final, com 80% dos 180 mil hectares colhidos.

Jaime Binsfeld, diretor comercial de uma empresa de recebimento em Lucas do Rio Verde, diz que na localidade de Grozlândia, distrito do município, já chega a 10 mil toneladas o volume a céu aberto. A capacidade estática chega a 50 mil toneladas.

Em São Luiz Gonzaga, comunidade de Sorriso, a 420 km da capital, o espaço de 40 mil toneladas nos cilos não foi suficiente para armazenar todo o milho. São já 15 mil toneladas fora dos armazéns.

Ao todo, 9 são as unidades em operação da empresa em Mato Grosso. Mas conforme destaca Jaime Binsfeld, em apenas 2 na região norte já se guarda o milho fora.
 

Armazém em Mato Grosso (Foto: Leandro J.Nascimento/G1)
Armazéns em Mato Grosso estão recebendo milho
(Foto: Leandro J.Nascimento/G1)

"Está faltando espaço porque a safra é grande, praticamente o dobro de produção. De 7 milhões de toneladas saltamos para quase 15 milhões de toneladas. Tivemos sérios problemas em função da mudança da quantidade de horas que os caminhoneiros têm que rodar por dia e iniciaram os problemas com a logística", pontuou o Binsfeld. Deficiência nos portos brasileiros também agravaram o problema do setor rural, afirma o diretor comercial.

Na cooperativa presidida por Antônio Carlos Costa Lima, em Lucas do Rio Verde, 12 mil toneladas de milho também estão fora das estruturas metálicas. A saída para minimizar os reflexos foi limitar o recebimento do produto. A unidade tem uma capacidade para milho a granel em 120 mil toneladas.

"A retirada do milho não vem ocorrendo em função das dificuldades de logística. Quem colocou o milho para fora tem que tirar antes do período chuvoso, pois se começar a chover lona nenhuma vai segurar", afirma o presidente.

A liberação de um cilo com capacidade para 30 mil toneladas e onde estão 23 mil toneladas de soja deve ajudar a cooperativa a minimizar a falta de espaço.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso a capacidade de armazenamento é de 27,6 milhões de toneladas.

Faltam caminhões
Na região de Sorriso o produtor Elzo Pozzobon diz que não há caminhões suficientes para o escoamento da safra. Alguns produtores decidiram "segurar" a colheita, segundo o agricultor.
“É uma preocupação porque o milho tem que ir para o porto”, afirma o agricultor sorrisense.

Gilvando Alves de Lima, diretor-executivo do Sindicato das Empresas dos Transportes de Cargas de Mato Grosso, diz que a falta de caminhões pode estar de fato vinculada à Lei 12.619 que regulamentou a profissão de motorista e sendo responsável por implementar uma série de medidas voltadas aos trabalhadores que atuam nas estradas com o transporte de cargas, como descanso pré-estabelecido de acordo com o número de horas trabalhadas.

“Pode estar contribuindo e é um primeiro indicativo que o produtor já senti”, diz o executivo do sindicato.
 





Fonte: Do G1 MT

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