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Saúde
Terça - 28 de Março de 2023 às 09:54
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

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De acordo com o estudo, todas as capitais e regiões brasileiras estão com a vacinação contra o HPV abaixo do preconizado
De acordo com o estudo, todas as capitais e regiões brasileiras estão com a vacinação contra o HPV abaixo do preconizado

Seguindo uma tendência nacional, Mato Grosso está com a vacinação contra HPV, o Papilomavírus humano, abaixo da meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

É o que mostra um estudo da Fundação do Câncer, divulgado para marcar o Dia Mundial da Prevenção do Câncer de Colo do Útero, celebrado no último domingo (26).

De acordo com o estudo, todas as capitais e regiões brasileiras estão com a vacinação contra o HPV abaixo do preconizado.

Isso significa que, até 2030, o Brasil não deverá atingir a meta necessária para a eliminação da doença, que constitui problema de Saúde Pública.

Para isso, o objetivo é de que 90% das meninas até 15 anos estejam vacinadas contra vírus.

O levantamento tem como base os registros de vacinação do PNI de meninas entre 9 e 14 anos, no período de 2013 a 2021, e meninos de 11 a 14 anos, entre 2017 e 2021.

No Estado, o percentual alcançado entre o público feminino é de 78,6% e de 46,0% em se tratando da primeira dose. Já em relação a segunda aplicação, os percentuais são menores ainda: 58,9% e 38,85%, respectivamente.

Já a taxa de incidência do câncer de colo útero em nível estadual é de 12,3 novos casos para cada 100 mil mulheres e de mortalidade 5,6 mortes por 100 mil.

Entre as capitais do país, para as adolescentes na mesma faixa etária, o percentual de cobertura vacinal contra o HVP atingido por Cuiabá é 73,6% referente a 1ª dose e de 49,9% na segunda e, entre o grupo masculino é de 47,9% e de 31,4%, respectivamente.

Na capital mato-grossense, a incidência de novos casos do câncer do colo do útero é de 19,7/100 mil meninas e o de mortalidade, 8,4/100 mil.

Em nível nacional, a cobertura vacinal no público alvo feminino alcança 76% para a primeira dose e 57% para a segunda dose.

A adesão à segunda dose é inferior à primeira, variando entre 50% e 62%, dependendo da região.

Na população masculina entre 11 e 14 anos, a adesão é inferior à feminina no Brasil como um todo.

Neste grupo, a cobertura vacinal é de 52% na primeira dose e 36% na segunda, muito abaixo do recomendado.

Consultora médica da Fundação do Câncer e colaboradora do estudo Flávia Corrêa, informou que toda vacina que tem múltiplas doses costuma apresentar problema do absenteísmo, especialmente entre os adolescentes.

“Em qualquer vacina que tenha múltiplas doses, o que se vê é que existe realmente uma queda para completar o esquema vacinal”, disse em entrevista à imprensa nacional.

"Isso acontece não só no Brasil, mas no mundo todo. No caso da vacinação contra o HPV, a recomendação do PNI é continuar com duas doses, embora a OMS já tenha dado aval para que seja utilizada uma dose única, dependendo das circunstâncias locais", completa.

Ela considera importante a vacinação voltar a ser feita nas escolas, como ocorreu no primeiro ano em que a primeira dose foi disponibilizada nas unidades de ensino e de saúde.

A partir da segunda dose, só estava disponível nas unidades de saúde.

Flávia Corrêa destacou que em todo o mundo, o esquema que deu mais certo foi o misto, em que a vacinação estava disponível ao mesmo tempo na escola e nas unidades de saúde.

A consultora chamou a atenção para o fato de que há ainda muita desinformação sobre a vacina contra o HPV.

Muitos pais ignoram que a vacina previne contra o câncer de colo do útero e não incita o início da vida sexual antes do tempo.

Outros não sabem qual é a faixa etária em que os filhos devem se vacinar.

“Há uma falta de informação muito grande que precisa ser abordada com medidas educativas, mais fortes, tanto para as crianças e adolescentes, quanto para os pais, a sociedade como um todo. É necessário ampliar a discussão sobre a questão da vacina, mostrar os dados que dizem que ela é segura, não estimula a atividade sexual precoce”.

Outro ponto é que a cobertura vacinal é menor para os meninos, tanto na primeira quanto na segunda dose, porque as pessoas ainda não entenderam que a vacinação de meninos é necessária não só para proteger as meninas do câncer de colo do útero, mas porque traz benefícios também para os representantes do sexo masculino.

“Ao vacinar ambos os sexos, diminui a disseminação do vírus, explicou.

A vacina é segura e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos e meninas de 9 a 14 anos, em esquema de duas doses, e para mulheres e homens transplantados, pacientes oncológicos, portadores de HIV, de 9 a 45 anos, em esquema de três doses.





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