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Opinião
Quinta - 20 de Outubro de 2011 às 00:19
Por: Wilson Carlos Fuá

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Diante da velocidade e do culto ao instantâneo, a vida passa muito rápida e individualizada, todos estão impacientes e menos tolerantes: nos  relacionamentos, no trabalho, no trânsito, até nos meios religiosos.

Hoje somos consumidos pelas rotinas, não sobra tempo para o  exercício da  reflexão tendo como objetivo  maior, desenvolver o poder de entender as pessoas como seres que tem emoção, sentimentos, e são diferentes de um veículo, uma conta bancária ou de um objeto. A insensibilidade de entender o próximo é adiada; a compaixão deixa de ser praticada. É cada um cuidando de si próprio, tem pessoas que vivem em fuga permanente da aproximação de alguém necessitado, tem medo de ajudar em função da dependência do outro.

O homem é um ser social, nasceu para  viver em sociedade.  Detém as faculdades necessárias para relacionar: a reflexão, o sentimento de amor e a palavra que completa a aproximação.  Só o auxilio mútuo, leva mais facilmente ao progresso espiritual e material. 

A maior prova de amor ao próximo é ajudar antes da humilhação de receber um pedido de uma pessoa fragilizada. Como é bom perceber a necessidade de um amigo ou de um colega. Às vezes vemos uma pessoa a nos rodear e jogando indiretas e sem coragem de pedir uma ajuda, mas em função da velocidade da nossa defesa egoísta de fugir da aproximação das pessoas fragilizadas, estamos fugindo de nós mesmos: “lá vem ele de novo com os seus problemas”. 

O  exercício de aproximação sempre se  aprende com o próximo, fazendo  o exercício da reflexão, logo  descobriremos que não estamos sozinhos,  e  a ajuda ao próximo, começa dentro da nossa própria família, auxiliando a um filho ou parente que está com o coração fragilizado, sendo que a partir daí, passamos a ter experiência para lidar com os outros, e criar aliados para quando for nosso esse momento, termos com quem contar ou a quem  recorrer.

 É recorrente no meio  político  ouvir esta frase: “se ele estivesse precisando, teria pedido”.  Para muitas pessoas pedir, é a pior situação que a vida lhe impõe. Tem pessoas que não sabem pedir um favor; ou pedir um aumento salarial; ou mesmo pedir uma ajuda momentânea. E para muitos que não sabem pedir ou infelizmente por  nunca ter recebido ajuda e nunca terem sidos  valorizados, transformam-se em  pessoas introspectivas e facilmente perdem  o entusiasmo pela vida.  

A grande  verdade, é que vivemos e convivemos  com pessoas que realmente não sabem  pedir nada, e nós nem imaginamos o que se passa com elas, as vezes estão prestes a se suicidar e nós no exercício da individualidade nem percebemos. As pessoas não percebem porque estão condicionadas a uma vida de competição e de vencer sempre, mesmo que seja fora da ética ou desonestamente, elas ficam  alienadas no mundo do consumismo e desfazendo das conquistas provisórias, vivendo em função apenas das coisas que são dos seus interesses, as que  vão trazer lucro ou fazer parte seu bem estar, ou mesmo em alguma coisa a mais que  lhe interessa. O lado humano  nem sequer é notado.
    Quando se faz bem ao próximo, o maior beneficiado é o próprio benfeitor, são energias infinitas do bem, essa ação  retorna  na forma de magia de viver e ser feliz.  Ao fazer uma caridade em seguida passamos a sentirmos  a leveza na nossa alma.  Fazemos o bem para o nosso próprio bem, e não para que a sociedade nos note!
Dar é mais gratificante do que receber. 
         Dois tipos de  pessoas tem o maior medo que o seu segredo seja revelado: “aquelas que doam por amor, e aquelas que roubam”.
          Quantas pessoas que vivem de cabeça baixa como se tivessem procurando alguma coisa no chão, e esquecem que Ele esta lá no auto. A solidão que muitas vezes dói mais que a própria fome pode ser resolvida  apenas com  uma palavra amiga, apenas isso, essas pessoas estão sofrendo de tristeza da alma, e esse desalento  pode fazê-la  desistir da vida.
          E a maioria dessas pessoas tem o coração tão frágil e muita fome de afeto. E ao nosso lado sempre tem uma ou mais pessoas assim, às vezes uma pequena palavra dará luz e vida para esses seres humanos que são vistos como infinitamente só e esmorecido.  Aqueles que negam uma ajuda em forma de palavras, tem instalada  a miséria da indiferença na sua própria alma.  Uma pessoa solitária e deprimida vive no limite entre a vida e a morte,  é como se fosse uma bomba programada para explodir a qualquer momento.
           Na verdade quantas vezes nós dizemos: será  porque ele não me pediu ajuda? Com certeza teria  ajudado.
         Parece simples, mas não é.   Esquecemos que para aqueles que estão no fundo do poço, pedir ajuda depois de tantas recusas é uma ação  difícil  e humilhante.
A todo instante dá para perceber  que vivemos em uma sociedade cruel e marcada pela violência da indiferença,  que agride os mais fracos e que termina sendo o produto responsável por muitos outros crimes. Será que um dia a sociedade saberá olhar as desigualdades e saberá acolher os sofredores que são possuidores da doença do século: 
A TRISTEZA DA ALMA?
        Cabe a todos nós retirarmos essa cegueira  que constitui a paisagem da hipocrisia, e darmos a grande esperança para os necessitados de afeto e compreensão.
Economista Wilson Carlos Fuá – 
É  Especialista em Administração Financeira  e  Recursos Humanos
Fale com o autor: fuacba@hotmail.com        
      
 


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