O governo da Grécia anunciou nesta quarta-feira que aprovará em breve cortes adicionais de gastos públicos e novas medidas de austeridade no valor de 6 bilhões de euros, após a crescente pressão dos parceiros da União Europeia (UE) para que acelere as reformas estruturais.
"O governo anunciará nos próximos dias medidas que superarão os 6 bilhões de euros com o objetivo de reduzir os gastos e aumentar as receitas", disse em entrevista coletiva o ministro das Finanças grego, Giorgos Papaconstantinou.
Ele negou que as medidas possam afetar os salários e a previdência social, rejeitou uma alta do imposto sobre valor agregado e descartou uma possível quitação da dívida. "Não há uma receita mágica nem cenários mágicos de suposta reestruturação da dívida".
O governo tem como meta reduzir neste ano o déficit fiscal para 7,5% e, de forma gradual, diminuí-lo para menos de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014, dos 10,5% registrados no fim de 2010.
"Apesar da recessão, não se pode perder o ritmo no esforço fiscal", disse Papaconstantinou. "Isso significa que teremos de tomar todas as medidas necessárias para não desviarmos do objetivo de déficit para 2011 que fixamos, de 7,5%".
O governo, anteriormente, explicou que a economia será resultado da redução e fusão de organismos estatais, bem como de uma diminuição o máximo possível do ritmo de contratação de funcionários públicos.
O Ministério das Finanças grego anunciou nesta quarta-feira a designação de um grupo de consultores, entre eles bancos privados gregos e empresas estrangeiras, para assessorá-lo durante o processo de privatização de bens estatais.
Entre os ativos públicos que se planeja vender está o organismo de gestão de apostas futebolísticas e hípicas, a loteria nacional, as ferrovias públicas, a empresa de manutenção de estradas, a companhia pública de gás e a administradora do aeroporto internacional de Atenas.
Entre os assessores internacionais selecionados, destacam-se Deutsche Bank, Credit Suisse, BNP Paribas, Ernst & Young, Rothschild & Sons, Citigroup e Pricewaterhouse.
O governo pretende com essas privatizações arrecadar 50 bilhões de euros até 2015, para assim reduzir sua avultada dívida pública de 145% do PIB.
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