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Política
Sábado - 19 de Maio de 2012 às 04:51

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira começa, na próxima semana, a ouvir os depoimentos dos acusados de envolvimento direto com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Eles foram flagrados pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. O depoimento de Cachoeira depende de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que só deve divulgá-la nesta segunda-feira. As informações são da Agência Câmara.

Na próxima quinta-feira, os deputados e senadores da comissão ouvirão seis pessoas, a maioria presa pela Operação Monte Carlo. Entre os convocados, está o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá. Ele é apontado pelas investigações como sendo o "espião" do grupo e responsável por arregimentar policiais federais, civis e militares para as atividades criminosas.

Também serão ouvidos Lenine Araújo de Souza, gerente do jogo do bicho e responsável pela contabilidade do grupo; Jairo Martins de Souza, um dos espiões da quadrilha; José Olímpio de Queiroga Neto, responsável pelo pagamento de propina aos agentes públicos; Gleyb Ferreira da Cruz, considerado o elo entre Cachoeira e o delegado da polícia federal Deuselino Valadares, também preso; e Wladimir Henrique Garcez, ex-vereador que seria facilitador do grupo junto a agentes públicos.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.





Fonte: Terra

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