Prefeito é afastado do cargo 4 vezes em Chapada dos Guimarães (MT) Cidade está sob o comando do vice-prefeito após afastamento do prefeito. Câmara de Vereadores abriu uma comissão processante contra ex-prefeito.
O município de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, vive um momento de instabilidade política. O prefeito afastado José Neves (PSDB) já foi afastado do cargo por várias vezes e, atualmente, o vice-prefeito Lisu Koberstain (PMDB) é quem ocupa o cargo. Uma comissão processante para apurar supostas irregularidades cometidas pelo ex-prefeito foi aberta pela Câmara Municipal de Vereadores e, dependendo, o prefeito que está afastado poderá ter o mandato cassado. O prefeito informou que ainda não foi notificado para dar explicações sobre o caso à comissão.
Em menos de dois anos, o prefeito foi afastado e voltou ao cargo quatro vezes. O primeiro afastamento ocorreu em maio do ano passado após suspeitas de irregularidades na contratação do serviço de transporte escolar. Na época, foram gastos mais de R$ 2 milhões no aluguel de oito veículos durante 9 meses. O prefeito ficou 90 dias fora da administração. Já em fevereiro deste ano, José Neves voltou a assumir a prefeitura, mas, ficou menos de 15 dias na função e foi afastado por decisão da Câmara Municipal.
Joair Siqueira, presidente da Câmara de Vereadores, explicou que a rotatividade de prefeito gera prejuízos enormes. "O Poder Legislativo tem entendimento que o cidadão fez uma denúncia apontando vários indícios de desvios, improbidade administrativa e política e a câmara acolheu através de oito votos. Também nessa denúncia foi pedido o afastamento cautelar para que seja investigada”, disse.
O prefeito interino Lisu Koberstain disse que a principal tarefa é administrar as contas deixadas. A prefeitura acumula uma dívida de R$ 3 milhões de energia elétrica e há um mês o poder público não emite alvará de funcionamento para o comércio.
Atualmente, a dívida do município ultrapassa a R$ 15 milhões. Por isso, alguns serviços são executados de forma precária, como a a coleta de lixo, por exemplo. O trabalho é feito por um caminhão alugado pela prefeitura. A licitação que deveria ter sido realizada há um mês para a escolha de empresa não foi feita. Para o serviço não ficar parado, foi firmado um contrato emergencial. Cerca de R$ 18 mil são pagos pelo aluguel mensal de um caminhão.
O relatório da comissão processante deve ser votado pelos vereadores até o final desta semana. "É preciso ter o entendimento de que nós não estamos gerando prejuízo para o município e que estamos investigando o que ocorreu de errado", afirmou o presidente da Casa de Leis.
Os moradores estão preocupados com a situação. “[Chapada dos Guimarães] era uma cidade turística, organizada, bonita. Hoje está um caos, buracos nas ruas, não se pode transitar mais na rua”, reclamou a moradora Dirce Nunes. O comerciante Manoel de Moraes disse esperar uma resposta rápida do poder público ''Precisamos saber urgente quem vai ficar no comando, se é 'A' ou se 'B', a gente não questiona nomes, questiona posição. Precisamos de uma posição do poder público''.
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