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Tecnologia
Quarta - 29 de Julho de 2015 às 10:18

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Divulgada nesta terça-feira, a pesquisa TIC Kids 2014, do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), apontou a consolidação do celular como principal ferramenta de conexão à rede pelos jovens brasileiros, com 82% desses usuários fazendo uso do dispositivo para esse fim — índice superior até mesmo ao uso de PCs. E, diante dos desafios trazidos por essa dinâmica ao cuidado dos filhos, muitos pais dizem ver um aumento no apelo do uso de aplicativos de monitoramento remoto na para manter os filhos longe de possíveis perigos on-line.

Mas enquanto psicólogos e especialistas em segurança digital reconhecem a utilidade dessas ferramentas na criação dos jovens, principalmente os menores, esses profissionais também ressaltam a importância de que seu uso não se sobreponha ao diálogo familiar.

Mãe do carioca João Pedro, de 10 anos, Cláudia Herdina conta que, preocupada com possíveis conteúdos impróprios que podem chegar ao filho pela internet móvel, ela verifica diariamente o que ele acessa pelo aparelho e não descarta instalar um programa para acompanhar melhor o uso que o jovem faz da tecnologia.

— Tenho acesso a todas as senhas dele, e, antes de dormir, sempre dou uma olhada no seu celular para me certificar que ele não está fazendo nada que não deve, ou recebendo mensagens de desconhecidos. E só não instalei um app de monitoramento ainda porque não tive tempo para escolher um. A gente sempre teme passar um pouco do limite da proteção, mas eu prefiro errar para mais do que para menos.


— Costumo verificar quais grupos ela faz parte no WhatsApp, como ela costuma se comportar trocando mensagem com os amigos, o que costuma receber, essas coisas. Às vezes, ela fica com um pouco de vergonha, mas acaba me mostrando assim mesmo. Procuro sempre o diálogo, mas esse mundo conectado acaba sendo um desafio no cuidado com os filhos — afirma Ferreira.A dinâmica é semelhante na casa de Viviane Ferreira, mãe de Nicole, também de 10 anos, que ganhou um smartphone no ano passado.

PROCURA POR SOLUÇÕES CRESCE

De olho no fenômeno, as companhias de segurança digital vêm aumentando a sua oferta de soluções de controle parental, que dão aos pais poderes para, por exemplo, impedir o acesso a determinados conteúdos, receber notificações no caso de tentativas de visualização de sites indevidos, acompanhar o tempo passado pelo jovem em redes sociais e até supervisionar mensagens de texto e vídeos visualizados no YouTube.

É o caso do Norton Family: Parental Control, desenvolvido pela Symantec. Especialista em segurança digital da companhia, Nelson Barbosa Jr. diz que a procura pela solução vem aumentando, e que a importância de seu uso por pais vai além de impedir que os filhos acessem conteúdos impróprios.

— O acesso a dispositivos móveis ocorre cada vez mais cedo entre as crianças, e esses jovens muitas vezes não têm o discernimento para saber se estão se colocando em um perigo real a partir do ambiente virtual. Eles podem não ter a malícia para perceber, por exemplo, se há alguém se passando por outra pessoa falando com eles pela internet. É aí que entra a importância dessas soluções.

A Trend Micro é outra que tem apostado no segmento. Presente em alguns de seus produtos, a sua ferramenta de controle parental permite que pais bloqueiem o acesso de sites específicos em smartphones e tablets.

— A figura de criminosos e de pedófilos que varrem a internet em busca de vítimas é real e frequente. No território de jogos on-line ou móveis, extremamente populares entre crianças e adolescentes, temos um outro tipo de criminoso, que se utiliza de iscas para infectar os dispositivos com malwares que podem roubar as informações pessoais — afirma André Alves, especialista de segurança da informação da Trend Micro.

Na Coreia do Sul, o próprio governo lançou no mês passado um aplicativo gratuito do tipo, o Smart Sheriff. Nos EUA e na Europa, para além das companhias de segurança digital, são as operadoras de telefonia que oferecem ferramentas de controle parental em opções gratuitas e pagas. No Brasil, as soluções são amplamente disponíveis, porém sem nenhuma obrigatoriedade oficial sobre a sua oferta por lojas de telefonia.

CONVERSA AO INVÉS DE BLOQUEIO

Mas, diante do elevado grau de monitoramento que essas ferramentas permitem, até que ponto o seu uso em nome da segurança dos jovens se justifica? Para o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de educação da ONG Safernet, esse tipo de recurso jamais pode se sobrepor ao diálogo familiar, ou ser usado escondido dos filhos.

— Ao invés de monitorar, os pais devem procurar mediar o uso da tecnologia pelo jovem, e isso só pode ser feito por meio do diálogo. Na minha percepção, essas ferramentas que limitam e registram o uso dos dispositivos só são realmente importante no caso de crianças pequenas, abaixo dos 7 ou 8 anos. Já para os jovens maiores, é importante desenvolver junto a eles um senso de responsabilidade no uso da tecnologia — afirma Nejm.

Acostumada a observar os conflitos entre pais e filhos oriundos do uso da tecnologia, Verônica Portugal, coordenadora educacional do Colégio Sagrado Coração de Maria, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, diz que o controle, por si só, pode prejudicar mais do que proteger os filhos.

— O vigiar é quando você espiona. Quando você monitora, você está acompanhando e orientando. Esse processo tem que ser conversado, do contrário a relação de confiança não é construída. E o responsável que só tenta controlar o jovem, acaba evitando que ele construa uma autonomia que é necessária.





Fonte: O Globo

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